quarta-feira, junho 25

Muito melhor que Protóxido de Azoto

Conservapedia

Descubram e deliciem-se com a exploração dos limites da estupidez, do auto-engano e da negação da evidência no lugar onde:

  • O teaser do artigo sobre o ateísmo é: «Discover what Wikipedia, the public school systems, and the liberal media don't want you to know about atheism.»
  • há um verso da bíblia na página principal todos os dias;
  • existem artigos como: Intelligent Design, Evolution, e Young Earth Creationism (este último então é para chorar).
À distância de um clique, este altar da crença infundada e do orgulho acéfalo. Magnífico.

Via Bad Science, que por si só merece leitura.

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quarta-feira, fevereiro 6

A Desilusão de Ron Paul

Não esperava que um médico, por muito cristão que fosse, rejeitasse a evolução e dissesse tamanhas inanidades. Mais um pelo cano abaixo.

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sexta-feira, janeiro 25

Muito melhor que protóxido de azoto (2)

«Welcome to the Institute for Creation Research, the premier education and research institution that equips believers with scientific evidences of the Bible's accuracy and authority.»

Outro dia li a frase do ano: «Apes evolved from creationists». Um insulto na medida certa com os ingredientes exactos. E olhem que é ser muito brandinho comparativamente com o rancor anti-científico de quem vê as suas crenças de infância contestadas por simples evidências.

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sexta-feira, agosto 31

Preocupante

A ler este post da Palmira no De Rerum Natura sobre os criacionistas terem conseguido com que o governo Islâmico da república Turca bloqueasse o domínio Wordpress.com. Indispensável e preocupante, muito preocupante.

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quarta-feira, agosto 15

Estragos do Endeavor

Podem ver aqui imagens dos estragos causados às placas de protecção térmica do vaivém Endeavor, aquando da descolagem. Ainda não é conhecido de que forma estes estragos condicionam a viagem de regresso. Estão a ser feitas tentativas de conserto.

Actualização: No Público diz-se que o «Vaivém Endeavour deve poder regressar à Terra sem que seja preciso fazer reparações».

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terça-feira, agosto 7

Mais anti-clichés ambientalistas

Neste artigo.

Vacas produzem mais CO2 que aviões, é melhor ir de carro do que a pé ao supermercado, sacos de plástico são mais amigos do ambiente que os de papel, etc. Leiam.

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sábado, julho 28

A Cannabis e o desenvolvimento de psicoses

A propósito desta notícia do Público, Carlos Loureiro diz no Blasfémias:

«Admitindo que a correlação estatística existe, não será antes a maior popensão para as doenças mentais a justificar a menor resistência ao consumo de cannabis?»

Com efeito, Carlos. O próprio autor do estudo, no podcast da revista Lancet diz que não se pode estabelecer o nexo de causalidade entre o consumo de Cannabis e o desenvolvimento de psicoses mais tarde. O que há é uma correlação, que nos diz que as pessoas que consomem cannabis têm um risco aumentado de desenvolvimento de psicoses, mas não necessariamente por causa desse consumo. É uma distinção muito importante esta entre causalidade e correlação. Para ter uma ideia, basta pensar que se duas condições forem consequências da mesma causa (e de nenhuma outra) a correlação pode ser de 100% (onde existe uma existe a outra e vice-versa) mas nenhuma delas causa a outra, sendo a relação de causalidade inexistente. E se tentássemos reduzir uma controlando a outra, nada aconteceria. É um exemplo extremo, apenas.

A verdade é que a maioria das condições observáveis são multi-variadas, com causas e consequências difusas. De qualquer forma, no que ao consumo de Cannabis concerne, o consenso científico é que não há uma relação causal estabelecida; há, isso sim, uma ligeira correlação com o desenvolvimento de desordens psicóticas, o que leva a concluir que o consumo de cannabis é tido como um factor contribuinte (nem necessário nem sequer suficiente) para um risco acrescido de desenvolvimento de psicoses, quando os outros factores também se verificam. Isto verifica-se de forma proporcional ao consumo e inversamente proporcional à idade, claro. É claro que as manchetes de jornais ou as palavras aterradoras de pessoas como Manuel Pinto Coelho não têm razão de ser. O senso científico está muito mais de acordo com o comum.

A ler, sobre o mesmo tópico, mas no Reino Unido, este artigo.

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terça-feira, julho 24

O creme não compensa

Sobre resistir e, especulativamente, escapar ao envelhecimento.

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segunda-feira, julho 23

Regras do complexo

Goodhart's law: `When a measure becomes a target, it ceases to be a good measure.' Ou, na formulação original: `Any observed statistical regularity will tend to collapse once pressure is placed upon it for control purposes.'

A ler aqui e aqui.

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segunda-feira, julho 9

Não é o enfado

... mas antes a temperatura do cérebro, aquilo que parece explicar o bocejo. Aparentemente, bocejamos para refrescar o cérebro, e, se tivermos o dito refrescado, ficamos mais imunes ao efeito de contágio do bocejo.

E esta, hein?

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domingo, julho 1

Re: Evolução Humana e Consciência

No De Rerum Natura, um dos meus blogues preferidos, o Paulo Gama Mota escreveu um texto sobre consciência e evolução, cuja leitura recomendo. Este é um dos temas que mais me interessa e por isso queria aqui contestar alguns pontos.

«Se nós partilhamos com os outros primatas, filogeneticamente mais próximos, formas elaboradas de consciência, como a percepção dos estados conscientes dos outros, então elas terão surgido em um antepassado evolutivo comum.»

Não necessariamente. Há formas de consciência que se desenvolveram depois da "ramificação" e portanto de forma independente. Os pássaros, por exemplo, possuem algumas das características que dizemos constituir a consciência e é muito improvável que os nossos antepassados comuns, que foram bem mais primitivos a este nível, a tenham tido.

«Se não [tiverem surgido num antepassado comum], trata-se de algo exclusivo da nossa evolução, que tanto pode ter ocorrido há 2 milhões de anos como há alguns milhares»

Não necessariamente. O facto de tal faculdade ter surgido ou não num antepassado comum nada nos diz sobre a possibilidade de vir a surgir num ramo evolutivo subsequente. A partir do momento em que tal capacidade surja, é muito improvável que se perca, pela vantagem competitiva óbvia que representa, mas o facto de não ter existido em antepassados comuns não significa que seja um exclusivo de qualquer ramo evolutivo. Há aliás uma probabilidade aumentada de vir a ocorrer numa espécie, dada a sua ocorrência numa espécie semelhante, como são as que partilham antepassados, mas isso é outra coisa bem diferente.

Nada nos garante (há até pistas em contrário) que animais que já divergiram de nós há muito tempo não tenham (ou possam vir a desenvolver) "formas elaboradas de consciência" como a capacidade de entender a mente do seu semelhante. Alguns pássaros, os golfinhos, alguns cefalópodes — que divergiram do nosso ramo há 1200 MA! — têm capacidades cognitivas que ombreiam com as de muitos primatas superiores.

Posteriormente, é altamente improvável que estas capacidades tenham surgido apenas há "alguns milhares de anos". Pelo menos centenas de milhar. Estou a lembrar-me de evidência arqueológica da realização de cerimónias e rituais (nomeadamente fúnebres) datadas de há 70.000 anos. Dado que este tipo de realizações são expressões de maquinaria cerebral bem mais complexas (ou mais tardias evolutivamente), por extrapolação é expectável que a Teoria da Mente tenha nascido umas boas centenas de milhares de anos antes, se não mais.

«Apesar disso, não sabemos se outros primatas são dotados de uma teoria da mente. Estudos recentes com chimpanzés apresentam resultados equívocos. Circunstância agravada por não podermos recorrer à linguagem para comunicar. Assim, a questão de saber se estamos ou não sozinhos na biosfera, quanto a esta característica, permanece em aberto.»

Não é bem assim. Houve experiências recentes cujo objectivo era justamente dissipar as dúvidas que as primeiras na área deixaram, e em larga medida confirmaram a existência de uma Teoria da Mente em alguns primatas superiores. Chimpanzés, Bonobos e outros, se não estou em erro. Vide, p.e. Hauser 2006 — Moral Minds, cap. 6. Podemos ser peremptórios: quanto a esta característica, não estamos sozinhos na biosfera.

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terça-feira, maio 8

Liçãozinha do Dia

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segunda-feira, abril 23

A Popularidade é Aleatória

... ou quase. Qualidade e popularidade (aferidas de forma diferente pelo mesmo tipo de agentes) são duas grandezas muito pouco correlacionadas. No top5 da qualidade, só se tem 50% de probabilidade de vir a estar no top5 de popularidade. Confuso? Descrente? Leia.

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segunda-feira, abril 2

Assim vai a divulgação científica

A propósito da peça de desinformação que passou na RTP no passado Domingo, sobre o uso (e abuso) da Cannabis, no que toca à possibilidade de aumento do risco de esquizofrenia, (supostamente) no seguimento dum estudo da The Lancet, recomendo a leitura disto (vejam o vídeo lá linkado), do próprio estudo, se possível, e do restante material da própria revista. Tais leituras certamente desintoxicarão o leitor do ácido fóbico instilado — num estilo bastante Louçã, diga-se — pelo inominável e inefável Manuel Pinto Coelho, que novamente apareceu a defender que droga é só uma, não há cá leves e duras.

É que, nem o próprio estudo autoriza as atoardas lançadas na peça, como o restante material da revista (para não falar do consenso médico) contradizem qualquer ideia de unificação do conceito de droga, já de si muito pouco científico. Tal entidade una e indivisível, daria certamente jeito a MPC: um papão facilmente agitável, servindo de encarnação dos males da sociedade, qual manifestação demoníaca. Algo a esconjurar e debelar a qualquer custo, o mais depressa possível, a bem duma nação Livre de Drogas (certamente graças ao desinteressado apoio das suas clínicas privadas).

Acontece a realidade é um bocadinho menos assustadora, e bem mais complexa. Temos pena.

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quinta-feira, março 29

O Papel da Engenharia, segundo Vital

Diz Vital Moreira:

«A intervenção pública dos engenheiros na questão da localização novo aeroporto de Lisboa suscita a questão de saber se entrámos na era do governo dos engenheiros. Na verdade, a questão da localização e dos custos e benefícios do aeroporto não é uma questão técnica (salvo se a localização estabelecida fosse tecnicamente inviável), mas política. E aí a competência dos engenheiros é a mesma que a de qualquer outro cidadão, sendo inadmissível a ingerência do bastonário da Ordem dos Engenheiros, nessa qualidade, na contestação da localização escolhida e na promoção de soluções alternativas.»

Vital Moreira só não explica porque é que a localização do novo aeroporto é na sua opinião uma questão política. Depreende-se que tudo o que for viável passa ao estádio seguinte de análise: a política. Daí em diante é uma questão de gosto, onde, claro, a competência de um engenheiro será a mesma que qualquer outro cidadão.

Ao relegar o domínio técnico para a mera determinação da viabilidade, está a mandar para o lixo duma assentada uma generosíssima fatia da ciência até hoje produzida, naquela que é uma das suas principais tarefas, a de conciliar diferentes tensões concorrentes. E a não ver que a realidade é assim mesmo: complicada, concorrente, multi-variada. Acho que diz tais barbaridades por simples ignorância do que é e faz a engenharia. No fundo, se VM não conhece a engenharia, como poderia ele julgá-la competente para julgar uma matéria que julga conhecer? E não conhecendo as ferramentas para lidar com determinado problema, aqui D'el Rei que isto é uma decisão política. Depois claro, quem paga somos todos nós.

Inadmissível a ingerência do bastonário? Só numa ditadura. Agora deixámos o domínio do intelectual de letras que acha que é suficiente ser inteligente, para autoritarismos já mais preocupantes.

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