Passo a passo, a servidão
Gostava de ter escrito isto: Tudo isto por 10 ou 15%?
Reflexões difusas, soma dos vários espectros.
Não posso deixar de recomendar leitura do assomboroso relato da pior teoria da conspiração do globo, perdão, do mundo. Diz ela que o mundo é, na realidade, plano e tudo o que aprenderam na escola foram "eles" que vos injectaram. Quem quiser libertar-se desse abstruso jugo e terraplanar o seu cérebro, faça favor de visitar o site, ou ler o artigo da BBC.
Absolutamente impagável. Estou putrefacto!
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Na escala do paranóide securitário moderno, um é pouco, dois não está mau, três é multidão. 100 já começa a ser perigoso e 101 então - ui! - já carece de detector de metais, não vá algum concidadão menos responsável cometer um ilícito criminal com recurso a uma arma... claro está, metálica.
- Quem é que paga o detector?
- Quem promove esses perigosos ajuntamentos, pois claro.
- Quanto?
- Não interessa, tem de ser e pronto.
- Porquê 101?
- O caro amigo não está a pôr em causa a omnisciência dos nossos iluminados governantes, pois não?
- Alguém tentou (tentou, apenas) sondar se a população em causa prefere pagar mais nos seus estabelecimentos de diversão nocturna e ter um detector de metais ou se prefere as coisas como estão? Alguém sequer ponderou quantos ilícitos ocorreram em circunstâncias evitáveis com a presença dum detector de metais?
- O amigo já está a passar das marcas... Não se meta com o PS senão leva.
- É que se ao menos fossem 301...
- Shhht!
Há uns meses mudei-me. Mudei-me de volta para Lisboa, donde havia saído por volta do 8º ano. Sempre foi esta a minha cidade e agora que posso, habito no seu centro, na sua virtude, na sua rua dos Prazeres, pertinho da encantadora Praça das Flores, minutos a pé de tudo o que interessa. Um dos melhores sítios para se viver em Portugal e por conseguinte, no mundo. Não digo isto a brincar.
Tendo vindo de habitar a Ericeira, terra saloia e sincera, apercebo-me - claro - dum ligeiríssimo aumento da erudição ambiente, numa ou outra conversa que se ouve de passagem. Isso, para estes snobs ouvidos cansados de gente bruta, de vez em quando ainda dá para sorrir. E isso é bom.
Mas o que mais me atinge (e esta é no sentido oposto) é a notória fragilidade da saúde mental por estas bandas. Vê-se muito mais gente insana. Gente que sofre pesarosamente este mundo, um dia atrás do outro, gente de olhar estreito e espírito castrado. Casas tão juntas que mal abafam os gritos coléricos de quem lá dentro há muito não se suporta; passeios nocturnos únicos ouvintes de diletantes a caminho do abismo; esquinas de ataque, esquinas de rotina... Falta leveza. Falta mar, talvez.
Ainda estou a digerir. Quando conseguir concluir algo, direi.
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Estou à espera que o estado se direito de imponha em Portugal. Nomeadamente que:
(Para quem ler isto fora de tempo, é a propósito dos bloqueios dos camionistas por ocasião da alta dos combustíveis.)
Eu sei que é sempre perigoso contar um sonho, mas não resisto a contar que sonhei com uma espécie de ritual de linchamento, onde uma multidão cega de raiva clamava pela morte e (sobretudo) tortura duns pobres coitados que desciam amarrados à espécie de carros alegóricos do cortejo bárbaro. Não que os visados tivessem feito algo de muito mau, seriam apenas diferentes, de outra etnia ou algo assim.
Tudo isto passava-se num cenário meu conhecido, onde havia pessoas conhecidas que assistiam à barbárie mais ou menos impávidas, umas tristes mas resignadas e ninguém (nem a autoridade) fazia nada.
Apenas publico aqui esta pseudo-reflexão inconsciente porque acho que tem que ver com a nossa esfera pública. A sensação que tenho (e que acho que motivou este meu sonho) é que isto está tudo entregue à bicharada e ninguém se importa. Eu importo-me, pelos vistos.
Tiro sempre o chapéu a todos aqueles que dão um pouco de si para ajudar o próximo:
A BUS - Bens de Utilidade Social - é uma associação de solidariedade social que visa apoiar instituições de solidariedade social do distrito de Lisboa, fornecendo bens essenciais de carácter não alimentar.
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Oito e meia da manhã. Onde eu e mais uma centena de automobilistas vemos uma fila de carros, duas faixas e mais à frente apenas uma, entendemos a situação e formamos fila, dezenas de outros abjectos seres condutores (espécie que parece ter evoluído para esse papel somente), desprovidos de qualquer consciência moral, sentido de justiça ou sequer capacidades de cognição e cooperação dignas dum mamífero superior, esses asquerosos energúmenos, langonhinhas de quatro rodas movidos a cinismo, despudorados e vaidosos arrivistas do asfalto, fedelhos mimados de barriga inchada incapazes de se distanciar do seu ego, vêem isso sim, uma centena de papalvos prestes a serem comidos e a ficar para trás. Os parvos, que não percebem que está ali uma faixa livre! Eh eh!
Uma dessas bestas ao volante, quando interrogado sobre a existência de vergonha no seu espírito, nada mais conseguiu fazer senão avançar mais uns pontos, lá no campeonato dele, onde finalmente se conseguiu meter, também. Uma outra exemplar dessa espécie ficou muito espantada, boquiaberta mesmo, pela afronta que foi os papalvos lhe negarem entrada sob intenso buzinão. E ainda se riu, em estilo de quem não liga nada a essas coisas do trânsito e acha imensa graça que as pessoas se enervem com isso. "Foram só umas centenas de metros, não vale a pena chatearem-se", terá pensado como fuga à inescapável constatação da sua desonestidade.
Mas claro, nós é que somos uns atrasados e eles os espertos. Deve ser por vermos uma ameaça onde eles vêem uma oportunidade, é isso. E o cínico sou eu, pois claro.
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A RTP dava futebol. A SIC deu a tragédia de viação em directo, em diferido e em repetido (deram a notícia de ontem, do mesmo telejornal!). Quando já todos os aspectos da mágoa alheia estavam espremidos, e foram obrigados a dar outras notícias (estavam a competir apenas com a TVI, a fasquia era... inexistente) então lá mostraram o sr. Lopes e o sr. Pinto de Sousa à frente das respectivas opostas bancadas a discutir, não o orçamento do país, mas o passado de ambos. Foi bom para manter o tom trágico do telejornal. Mais espantoso que aquela sala ter sido pequena demais para ambos, é que em duas pessoas tão pequenas caibam egos tão grandes. A sala essa, é realmente pequena mas ainda disfarça na televisão, os outros dois não enganam ninguém.
Adormeci, felizmente.
Para quem não sabe, fica a saber: é perfeitamente possível e, embora não seja barato, viável, criar um sistema integrado de gestão de escutas em que se garanta:
Isto é só o suficiente para terminar com a promiscuidade das escutas, em cujo processo, das operadoras de telefones até aos advogados dos processos, há muita, muita gente que lhes põe as mãos em cima. Com um sistema destes, seria possível garantir que apenas quem (e quando) um juiz determina as ouve.
O problema é que ninguém está interessado nisto. Lembram-se do que aconteceu ao outro jornalista do 24 Horas que divulgou o caso do envelope 9 e acabou perseguido, até hoje? Pois é. Ou do absoluto ridículo que era o ficheiro Excel com a lista das escutas apenas com um filtrozinho para esconder o que não tinha sido pedido. Depois digam que é só nos filmes.
Quaisquer semelhanças com a realidade presente devem-se à falta de leitura.
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A propósito do caso Maddie, e muito embora se reconheça a possibilidade de a PJ e o Ministério Público comunicarem melhor sem comprometer o segredo de justiça, tenho ouvido suficientes vezes o argumento segundo o qual o público deve ser informado do andamento da investigação policial, independentemente dessa revelação vir ou não a prejudicar o desenrolar da investigação. «As pessoas não podem ser mantidas nesta ignorância», «é uma falta de respeito», «as pessoas têm o direito de saber», exclama-se. Não, não têm! Não têm o direito de saber coisíssima nenhuma. Podem estar milhões de sedados espectadores colados aos seus altares do entretenimento passivo (TV) a clamar por mais sumo para as suas não-vidas, que, se estiver em causa um milímetro da investigação que seja, hão-de continuar na ignorância. É assim que deve ser.
Ou então declaramos oficialmente a mediocracia, e voltamos à idade... média.
Aqui se pode ver (pelo menos) um dos "activistas" envolvidos na destruição de um hectare de milho transgénico em Silves. Via 31 da Armada.
A GNR não deteve ninguém porque não foi apresentada queixa pelo proprietário, o que, sendo o crime de dano semi-público, seria necessário. Podiam era ter identificado mais de 6 pessoas, isso sim. Contudo, fiquei globalmente satisfeito com a resposta das autoridades: GNR, M. Público, M. Agricultura e M. Adm. Interna.
O que me irrita é que, quando se começar a discutir mais os OGM, alguém há-de vir dizer que o mérito é destes energúmenos, por terem lançado a questão na agenda mediática. Irrita-me porque não é mentira, embora seja apenas uma reles tentativa de desculpabilizar o indesculpável.
Olha, mais ecoterroristas
«O GAIA apoia a acção do Movimento Verde Eufemia, por considerar o uso de desobediência civil e acção directa não violenta uma estratégia válida na luta pelos direitos sociais e ambientais da população.»que não sabem o que é desobediência civil
«Civil disobedience is the active refusal to obey certain laws, demands and commands of a government or of an occupying power without resorting to physical violence. It is one of the primary tactics of nonviolent resistance. In its most nonviolent form (known as ahimsa or satyagraha) it could be said that it is compassion in the form of respectful disagreement.»e cuja falta de brio e desconsideração pelos concidadãos, os impede de manter online páginas, enfim... mais polémicas:
«[O dia de acção contra os transgénicos] contará com acções descentralizadas, directas e criativas, pelo que desde já são convidad@s a pensar a vossa própria acção ou a juntar-se com outr@s activistas durante o Ecotopia para formar grupos de afinidade. No dia anterior, 16 de Agosto terão lugar workshops de formação sobre o tema dos transgénicos e de preparação para as acções.»Para bom entendedor...
Via Abrupto, O Insurgente, e Blasfémias.
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Fazendo minhas as palavras do Paulo Gorjão, só não percebo porque raio é que a GNR não deteve os criminosos que destruiram um hectare de milho em propriedade alheia, sobretudo tendo ameaçado repetir os actos noutras propriedades semelhantes. Encanita-me também que a comunicação social use o termo "activistas ambientais" para designar esta abjecta massa acéfala de gente que não entende o estado de direito, o método científico ou sequer a liberdade.
Quando quiserem discutir a temática dos OGM, vamos a isso, mas façamo-lo de forma séria, racional e independente das considerações sobre estes actos.