quarta-feira, agosto 13

De olho em mim

Em pequeno tive estrabismo. Andei de pala e tudo, comós cavais, mas só num (o esquerdo, António, o esquerdo). A coisa resolveu-se com uma operação cirúrgica ao olho direito (que estava torto), no... Porto. Fiquei apenas com um estrabismo residual, astigmatismo e hipermetropia, ligeiras. Usei óculos durante uns anos e depois deixei, nem sei bem porquê.

Há uns tempos decidi que, já que passo cerca de 12 horas por dia ao computador e o meu chefe não me dá um portátil de 45 polegadas, se calhar talvez não fosse má ideia visitar um oftalmologista, coisa que não fazia há mais de dez anos. Talvez.

Pois bem, após o atraso da praxe lusitano, fui atendido por uma doutora muito simpática (com quem tomaria sem problemas um café fora do expediente). Contei-lhe o historial, fez-me os testes do costume (vejo melhor do esquerdo, descobri) e... mandou-me embora. Nem estrabismo residual, nem nada! Vejo melhor que muito boa gente. Andor daqui para fora e felicidades com os ecrãs de computador, com os quais, pelos vistos (!), me entendo bem.

E esta hein?

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quarta-feira, junho 11

O Creme Descompensa

Outro dia fui fiquei algo queimado do Sol. À noite, antes de me deitar, pus um creme body lotion que havia recebido como oferta de outras compras, com essências não sei que mais e aromas a isto e aquilo. O típico, e até era bom, não fossem os aromas dar-me a sensação de haver uma mulher na cama quando não havia. Grunf.

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terça-feira, maio 13

A Barbárie e a Indiferença

Eu sei que é sempre perigoso contar um sonho, mas não resisto a contar que sonhei com uma espécie de ritual de linchamento, onde uma multidão cega de raiva clamava pela morte e (sobretudo) tortura duns pobres coitados que desciam amarrados à espécie de carros alegóricos do cortejo bárbaro. Não que os visados tivessem feito algo de muito mau, seriam apenas diferentes, de outra etnia ou algo assim.

Tudo isto passava-se num cenário meu conhecido, onde havia pessoas conhecidas que assistiam à barbárie mais ou menos impávidas, umas tristes mas resignadas e ninguém (nem a autoridade) fazia nada.

Apenas publico aqui esta pseudo-reflexão inconsciente porque acho que tem que ver com a nossa esfera pública. A sensação que tenho (e que acho que motivou este meu sonho) é que isto está tudo entregue à bicharada e ninguém se importa. Eu importo-me, pelos vistos.

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quarta-feira, janeiro 23

Ouvido de passagem

«Esta coisa do aquecimento global é mesmo a sério. Anda tudo avariado. Eu que nunca ficava doente já me constipei umas cinco vezes!»

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terça-feira, novembro 27

Momentos Genuinamente Tugas

No dia 25 de Novembro subi ao telhado com uma tesoura e um novelo de guita para arranjar o braço do sintonizador da antena da TV por satélite (insistem que é por cabo), que havia caído por motivo de... corrosão completa. Improvisado um periclitante trapézio, ao fim de persistentes ajustes a olho e reinicializações da "Caixa do Poder", lá ouvi uma exclamação de alegria materna, que, graças ao alinhamento da improvisada estrutura com o insondável Hispasat, finalmente podia ver a desejada Operação Triunfo. Um triunfo do desenrascanço, foi o que foi. Guita e uma tesoura, que orgulho tão Português.

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sexta-feira, outubro 26

Reflexão de ontem

- Estás chateado?
-- Se há coisa que me irrita é as pessoas se chatearem sem razão para isso.

-- Por outro lado também não sei se isto é uma boa razão para me chatear. Hum.

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segunda-feira, setembro 3

Clichés oportunos

Evito a repetição. Nunca pergunto ao amigo que aparece de gesso ou de muletas o que é que lhe aconteceu, refraseio normalmente o que me é devolvido e fujo das frases feitas, bitaites estafados ou expressões cristalizadas. Mas hoje foi — é a melhor forma de o dizer — o primeiro dia do resto da minha vida.

O 2º outorgante.

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terça-feira, agosto 28

Tem de haver algo

Numa conversa sobre religião, e ao falar do criacionismo galopante na américa, às tantas digo: «é óbvio, está mais que provado, que nós descendemos dos macacos». De imediato ouço: «então se nós descendemos dos macacos, os macacos descendem de quem?!»

Epá, com esta é que me entalaram.

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sexta-feira, abril 20

Proibido não ler

De facto, que maravilha!

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sexta-feira, abril 6

O Retorno, Informático dixit

Recuperei o portátil que tinha perdido há uns meses quando me assaltaram o carro.

Tudo começou com um telefonema:
— sr. Vasco Figueira?
— Sim, sim...?
— O sr. tem algum portátil a arranjar na PC Clinic?
— Não...
— O sr. perdeu algum portátil nos últimos tempos?
— Sim!...

Comecei logo a ver "o filme todo". Eu, sábio e experiente informático, tinha configurado a BIOS do computador para pedir a password assim que o mesmo se liga. É a primeira coisa que acontece, sem ela não se faz absolutamente nada. Nas opções desse ecran que pede a password, podemos incluir um pequeno texto. Escolhi ali escrever o meu nome, nº de telefone e endereço de e-mail, numa — em mim habitual — manifestação de crença na (ainda que residual) bondade humana. Lírico, chegaram a chamar-me. Habituado, nem liguei.

Pois bem, parece que, por portas e travessas, o portátil que tinha saído da bagageira do meu assaltado carro, fora parar às mãos dum qualquer receptador, que — imagino — terá pago pouco por um computador a "pegar ou largar", o qual, chegados a casa, se terá demonstrado fiel ao dono e irredutível na requisição da dita password. A julgar pelas marcas deixadas, o duelo ter-se-á prolongado por várias tentativas de violação, abertura de entranhas, retirada total da energia (a versão electrónica da asfixia?) as quais se revelaram invariavelmente infrutíferas, graças à tecnologia da Toshiba. Vergado ante tão nobre carácter do meu incorruptível computador, terá o escroque pensado que a sua única alternativa seria mandar o dito às instâncias oficiais, e pedir inocentemente a retirada do "pequeno entrave" que seria a password. Arriscado, é certo, mas "perdido por cem, perdido por mil", terá pensado.

Acontece que o funcionário que recebeu o portátil cuja única maleita era uma password que teimava em não transigir e por isso deveria ser removida, achou por bem ligar para o nº de telefone que ali aparecia como sendo do proprietário. Fez bem. Consultou também a base de dados de portáteis roubados da Toshiba onde verificou que efectivamente dela constava o nº de série do aparelho em causa, diligentemente lá colocado pelo sábio e experiente informático, legítimo proprietário, com a data do furto e tudo.

Assim que me ligou e percebemos em que filme estávamos metidos, logo conversámos sobre como resolver a situação. Posteriormente falei com o gerente, que me pediu para aguardar uns dias para falar com a Toshiba, que precisava de fazer algumas verificações relativas à dita base de dados que era na Alemanha e não-sei-quê... Não sem antes me garantir que dali o portátil só sairia para as minhas mãos.

A verdade é que os dias se foram arrastando, e nem a Toshiba (que havia prometido ao gerente da loja ligar-me ASAP) me ligava, nem o gerente abdicava da "autorização" da Toshiba para me devolver o portátil. Alarmado com o curso dos eventos, comecei a preocupar-me, tendo inclusivamente planeado ligar para o meu advogado e tratar de exigir a imediata entrega daquilo que era, para todos os efeitos, minha propriedade na posse de terceiros, ilegitimamente.

Felizmente não foi preciso, no dia seguinte a situação desbloqueou-se sem que se tenha percebido ou que é que em primeiro lugar a bloqueou. Mistérios que não me deixaram com boa impressão da Toshiba Portugal. A entrega do portátil processou-se numa sexta-feira de manhã, como combinado: acompanhado da PSP, que testemunhou todo o acto, identifiquei-me, fiz prova de compra do portátil (ainda tinha a factura) e inseri a password à frente de todos os presentes. Assinei um documento em como tinha recolhido o meu portátil e fui à minha vida, que daquela aventura já estava farto.

Quanto ao receptador, não sei de nada, nem, sinceramente, tenho pachorra para tentar saber. Sei que não lhe disseram nada enquanto ainda tinham o portátil, e julgo que terá sido informado da situação depois, quando lá terá passado a saber do seu pedido. Sei que a polícia pediu à loja para informarem a esquadra assim que o dito sr. aparecesse, mas desconheço se alguma diligência foi tomada no sentido de apurar eventuais ilícitos criminais praticados por ele ou outros com ele relacionados. Espero que sim, até porque ao que parece, tinham a morada do alegado receptador.

Quanto a mim, casa arrombada, trancas à porta: tratei de fazer rapidamente os backups que não tinha feito, actualizei o software, e sarei algumas feridas deixadas pela aventura. É verdade: o bom filho a casa torna.

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segunda-feira, dezembro 18

A Perda, Informático dixit

Outro dia cheguei ao carro, pus a chave, rodei, e estava aberto. Olhei, tudo vasculhado. O conteúdo do porta-luvas espalhado pelo chão. Aquela sensação de invasão do nosso espaço por um estranho.
-- Que olhos imerecedores teriam visto as minhas coisas?
O terror: a mochila com o portátil! Não estava, claro.

Tinha facilitado. Tinha deixado o portátil na mala do carro, escondido, sem nada à vista. Nem sequer o tinha posto lá antes de deixar o carro. Não houve nada que indiciasse aos sempre atentos indigentes que havia ali qualquer espécie de riqueza, que lhes rendesse alguns trocos que fossem para a "dose". Mas o facto era que ali estava eu, em pé, encostado à porta do carro, de olhar dependurado sabe-se lá para onde, ainda a deglutir a tragédia que é, para um informático, perder o seu computador.

Tranquei o carro (gesto agora inútil, mas enfim), e fui à esquadra da zona. Lá relatei "a ocorrência" e lá deu entrada uma descrição do material furtado numa qualquer base de dados da PSP. Inútil, ou quase, penso eu. Pelo menos serve para as estatísticas, para que se saiba onde é que há efectivamente roubos. Apenas um exercício de cidadania, portanto.

De seguida meti mãos à obra. Não acredito em milagres, mas que los hay, los hay, e tratei de arranjar o número dum arrumador que conheço (o P., que só não é uma lição de vida para aqueles que não percebem o que andam cá a fazer) que vive pelo Intendente onde, consta, vai parar grande parte do material destinado aos receptadores. Lá me explicou os destinos mais prováveis, e só sei que daí a umas horas, me encontrava no próprio do Intendente.

A primeira vez que lá tinha passado tinha sido com o meu pai, se não me engano, a caminho da fábrica de azulejos Viúva Lamego, propriedade duma tia-avó. Desta vez a coisa chocou-me bastante menos, não sei se pelos anos que entretanto se passaram, se pela efectiva melhoria do panorama da zona. O que sei é que todos deviam passar por lá pelo menos uma vez, especialmente a malta da ética de convicções, meio antropófoba.

O meu plano era vago, vaguíssimo. O P. tinha-me dito "passas lá, topas a cena, 'mordes' - tás a ver? - e depois ficas ali pelo chafariz..." Pois. Podia ser que alguém que eu "mordesse" me viesse perguntar se eu queria um portátil roubado. De facto veio alguém, mas o que perguntou foi se aqui o "fofo" tinha lume. De forma polida deixei que a conversa chegasse ao convite para ir "para o quarto" - o que levou 10 segundos - e neguei simpaticamente pois estava "à procura de outra coisa". Arregalou os olhos - "que outra coisa?!" - e despediu-se. Ainda dei mais uma volta, na esperança de algum acto de Deus me colocar na pista certa, mas é claro que acabei na pastelaria mais próxima a comer uma tosta, a enviar mensagens de arrependimento (tinha faltado a um compromisso e achei que estava a ser castigado por isso) e a olhar para ontem, à espera que caíssem sapos do céu, e tudo voltasse a fazer sentido.

À saída ainda falei com uns polícias que ali estavam, que entenderam a causa, e que me recomendaram a passar na feira da ladra, pelas 5 da manhã. Pois bem, assim será. Toca de ir para a faculdade que há um trabalho para fazer. Eram umas 5 da tarde. Pelas 5 da manhã, saí da faculdade em direcção à dita feira. Aqui o plano já era mais claro: encontrar portáteis ou mochilas de portáteis, dar o mínimo de informação possível, ser discreto e cusco. Resultado: bola. Fui dormir. Até a &%#$ da escova de dentes estava na mochila! Arghh!

Uns dias depois liga-me o P. a avisar-me que tinha havido uma rusga no Intendente na qual tinham apreendido alguns portáteis. Ainda cometi a ingenuidade de tentar chegar ao material apreendido pelas vias normais dum cidadão em diálogo com as instâncias policiais, começando pelo 21-policia que dá para o comando. Resultado: uns 5 euros em chamadas, tempo e paciência perdidos, ninguém me sabia informar de nenhuma rusga que tivesse havido. Um amigo que tem amigos fez um telefonema e meia hora depois já se interrogava os próprios executores da operação (à paisana) sobre o portátil em causa. Lamentavam, mas não havia nenhum com aquela descrição.

Ainda passei no DIC de Alcântara, nada; falta passar na secção de espólio do DIAP, nessa vã esperança, cada vez mais ténue, de recuperar parte da minha vida que naquela noite foi parar às mãos dum qualquer amontoado de células que vagueia por aí, e que nem sequer percebe que um resgate lhe valeria bem mais do que a venda, tendo, ainda por cima, os meus contactos assim que liga o equipamento e este lhe pede a password.

É uma lição que não deveria ser preciso aprender, mas lá que está aprendida, oh se está. Não estava era à espera que doesse tanto perder um computador. A sério, é o verbo certo: doer. É inquietante a falta que a informação faz. Agora, estoicismo e resiliência, é o que é preciso.

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