segunda-feira, agosto 20

Ainda o milho

Olha, mais ecoterroristas

«O GAIA apoia a acção do Movimento Verde Eufemia, por considerar o uso de desobediência civil e acção directa não violenta uma estratégia válida na luta pelos direitos sociais e ambientais da população.»
que não sabem o que é desobediência civil
«Civil disobedience is the active refusal to obey certain laws, demands and commands of a government or of an occupying power without resorting to physical violence. It is one of the primary tactics of nonviolent resistance. In its most nonviolent form (known as ahimsa or satyagraha) it could be said that it is compassion in the form of respectful disagreement.»
e cuja falta de brio e desconsideração pelos concidadãos, os impede de manter online páginas, enfim... mais polémicas:
«[O dia de acção contra os transgénicos] contará com acções descentralizadas, directas e criativas, pelo que desde já são convidad@s a pensar a vossa própria acção ou a juntar-se com outr@s activistas durante o Ecotopia para formar grupos de afinidade. No dia anterior, 16 de Agosto terão lugar workshops de formação sobre o tema dos transgénicos e de preparação para as acções.»
Para bom entendedor...

Via Abrupto, O Insurgente, e Blasfémias.

Etiquetas: , , ,

sábado, fevereiro 24

EMEL Vs. Polícia Vs. Cidadãos

Totalmente de acordo convosco.

Hoje perguntaram-me "então e agora os fiscais da EMEL já podem passar multas. Achas isto bem?". Claro que a minha resposta foi um rotundo "acho". Sobretudo pelo que me prejudica os estacionados em segunda fila, mas também pelos grotescos encavalitanços automóveis que estragam (ainda mais) a paisagem urbana.

Não consigo deixar de entrever nesta frívola indignação "de quem são eles para fazer trabalho de polícia", o simples e injustificável "fugir com o rabo à seringa" ou quanto muito uma óbvia contradição com os vitupérios que o próprio lançará aos concidadãos que lhe obstruem a passagem pedonal ou contribuem para o congestionamento.

A pretensa justificação de "eles" não serem polícias, mais não é do que um expediente trôpego para justificar que se não puna aquilo que todos concordam que deva ser punível. Como se a vontade dos homens dependesse do direito por eles construído e não o contrário. Se do ponto de vista sistémico, o modelo de financiamento e de funcionamento da EMEL é sustentável, isso já poderemos discutir. Alguém sabe como é sustentada a EMEL? Fica o repto.

Etiquetas: ,

quinta-feira, janeiro 25

A Imprensa e os rabos de palha

Nada disto é novo, eu sei. Mas devia ser velho. Arcaico, ido, gone.

  1. Expresso, título de notícia: “É incontroverso” que há ‘rabos de palha’ no PS.

    Palavras de João Cravinho:
    Jornalista: O PS tem `rabos de palha´ em matéria de corrupção?
    João Cravinho: Em muitos sectores da opinião pública, com ou sem razão, existe essa percepção. É um facto absolutamente incontroverso.

  2. SIC, Jornal da Noite, título: Sócrates considera propostas de Cravinho "uma asneira".

    Sócrates disse que seriam asneira duas coisas: criar uma nova entidade contra a corrupção e inverter o ónus da prova no caso do enriquecimento ilícito (respondendo a Louçã), e que não eram precisas asneiras para combater a corrupção.

A primeira, é uma citação totalmente indevida, um erro indesculpável, uma desonestidade que valeria cotação zero a qualquer estudante de jornalismo que aquilo fizesse. Aquilo que é um "facto incontroverso" é a existência da percepção na opinião pública, como qualquer alfabetizado percebe. O problema é que muitos alfabetizados apenas lêem as gordas. Eu próprio, quando tenho menos tempo o faço, claro. Gostava era de poder confiar um pouquinho mais naquilo que leio, só isso.

A segunda é mais soft e nem sinto que fira especialmente alguém, mas é sintomática da permanente inclinação para desdenhar o rigor e ceder à trica mesquinha e novelesca, de quem tenta permanentemente semear o caos. Muito embora o pacote Cravinho inclua estas duas propostas, Sócrates apenas se referiu aos dois pontos que lhe parecem ser asneiras. Eu nem gosto do estilo de Sócrates no parlamento, nem estou a defendê-lo (objectivamente não precisa), irritam-me jornalistas pouco rigorosos, só isso.

Etiquetas: ,

sábado, janeiro 6

O crédito é fácil, a responsabilidade difícil

Ontem ia para casa depois de uma noite de trabalho e fui a ouvir um programa da TSF, Com a Corda na Garganta que relatava várias estórias e testemunhos relacionados com o sobre-endividamento. Os relatos assumiam diferentes perspectivas, desde o jurista que presta aconselhamento, ao endividado propriamente dito.

Não querendo atingir o programa em si, que do ponto de vista jornalístico pareceu-me bastante correcto e isento de tese, limitando-se a relatar de forma mais ou menos fiel a realidade, fiquei absolutamente abismado com a desresponsabilização individual que a maioria dos intervenientes parecia pactuar com. Como se não fosse da responsabilidade de cada um o seu sustento e a escolha das responsabilidades financeiras.

Um senhor, que trabalhava desde os 11 anos queixava-se que agora o empregador o tinha colocado numa situação em que ganhava menos (havia menos trabalho) e mal conseguia pagar o empréstimo duma casa que entretanto tinha adquirido a crédito. Outra senhora, já reformada, queixava-se que por culpa dos empréstimos que tinha contraído para terminar a casa do seus sonhos já não lhe sobrava dinheiro nem para o creme para a cara. Os exemplos eram mais que muitos (ouçam o programa), ainda fiquei a ouvir os relatos durante uns bons quilómetros. O traço comum entre todos eles que me ficou foi o de todos falharem em reconhecer que a culpa não andava por aí... era tão somente deles.

Eu sei que a literacia financeira é quase nula, mas há coisas que se não são óbvias, deviam ser. Devia ensinar-se na escola, no autocarro, nos centros de dia, nas casas de banho, desde que se ensine. Contratou um empréstimo para comprar uma casa e viu os seus rendimentos reduzir? Então, arrende a casa a alguém (ela que se pague sozinha), e vá viver para um apartamento mais barato, ou arrende quartos a estudantes, ou qualquer coisa. Mexa-se! Queria a casa do seus sonhos mas não tem dinheiro para isso? Então tenha calma. Honra seja feita à senhora que no final disse ter aprendido a lição, de forma até bastante radical: "Crédito nunca mais". Não acho que seja preciso tanto, basta bom senso.

Ou sou eu que novamente exijo demais das pessoas?...

Etiquetas: ,