sexta-feira, janeiro 18

A reforma das urgências

«O presidente da comissão [Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências] entende que as reformas que estão a ser feitas na área da saúde "são as correctas, são a favor da eficácia do sistema, não em termos económicos necessariamente, mas em termos de eficácia clínica".» - in Público.

Concordo em absoluto, apesar de admitir a existência de erros na sua implementação.

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quinta-feira, dezembro 27

Blocos de parto e SAPs

Só para informar que eu sou dos poucos neste país (pelos vistos) que está totalmente com o ministro da saúde no que à reorganização da rede de urgências e blocos de parto concerne. E não, não sou nenhum monstro sádico que gosta de ver as pessoas a sofrer a caminho duma urgência. Simplesmente resisto à indignação fácil, tento informar-me sobre os assuntos e adoptar sobre eles opiniões racionais com recurso ao espírito crítico e juízo autónomo.

Se quiserem discutir, vamos a isso, tragam uma mini.

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segunda-feira, julho 9

Quem é louco, quem é?

The Cramps - The Way I Walk Live at Napa State Mental Hospital 1978

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terça-feira, maio 8

Liçãozinha do Dia

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segunda-feira, fevereiro 26

As Urgências do Povo

Enquanto lanchava estive a ver um pouco do Opinião Pública, na SIC. Vivemos num país de cheio duma sobressaltada indigência mental. Não é a surpresa que deprime, é a relembrança.

O que eu acho:

  1. O Ministro Correia de Campos tem de facto uma forma de falar politicamente desastrada. Aquela espécie de graçola sobre os números da sinistralidade rodoviária é erro de palmatória - um político não diz graçolas à comunicação social, ponto final. É um convite ao desastre. Já sabemos que a selva mediática é acéfala, não a provoquemos.
  2. A qualidade ou a prudência da oralidade de Correia da Campos não é argumento relevante para a discussão da reformulação das urgências. É um aspecto de carácter estético, que pode importar, no máximo, para considerações eleitoralistas.
  3. Não acho que a medida tenha sido mal explicada. Começou a falar-se nisso há já bastante tempo, e, na altura das maternidades, já se antevia a reedição da novela, com as urgências. Havia uma comissão a estudar, ia apresentar o estudo e esse mesmo estudo foi apresentado numa conferência de imprensa (se não me engano), e as suas conclusões, gráficos e demais dados foram apresentados pela comunicação social. O estudo é público. Eu vi na televisão os gráficos. Mais: o ministério tem a funcionar na internet um site justamente para esse efeito. Que quem não vê telejornais não conheça, entende-se (e há aí margem para melhorar o conhecimento público das medidas), mas o problema não está no Ministro, ou no governo, que pelos vistos anda a falhar na sua propaganda.
  4. Os autarcas afectados (que os há) portaram-se mal. Sabiam o que aí vinha, tinham reunido com o ministro, e (partindo do pressuposto que entendem que há medidas boas que ainda assim têm prejudicados) não se limitaram a fazer "um bocadinho de barulho" para tentar ficar "ao lado" da população, não: organizaram manifestações de protesto. E depois o mau da fita é Correia de Campos por dizer que olhará para eles de outro modo depois disso. Porque não atende aos apelos dos "legítimos representantes" das populações, como se não fossem ambos, governo e autarquias, eleitos pelo mesmo povo, para patamares diferentes por vezes divergentes. Haja decência.
  5. A imprensa anda um pouco confusa sobre o que terá acontecido entre Sócrates e Correia de Campos. Que Sócrates tenha querido intervir politicamente, faz sentido. As manifestações foram relevantes e impõe-se uma voz mais autoritária e mais simples, directa, assertiva que a de Correia de Campos. Não pode (ou não deve) no entanto acontecer um recuo, uma cedência à contestação infundada, face às conclusões do estudo. Isso seria um muito mau sinal, um péssimo precedente.

Acho sinceramente que o que realmente urge é um pouquinho mais de racionalidade e honestidade intelectual.

Actualização:

Parece que no Prós & Contras venceu a racionalidade, segundo estes amigos (e outros).

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quinta-feira, fevereiro 22

Realidade a mais

Diz Salvador Massano Cardoso no Quarta República:

«O comportamento do senhor ministro da saúde é de lamentar. Arvora-se no maior de todos, julga que tem as soluções para resolver os problemas de saúde, ofende os que contestam as suas decisões, ignora o desagrado dos seus correligionários políticos, esquece-se que somos um país pobre com desigualdades sociais e regionais muito marcadas, quer aplicar as regras dos países mais ricos, esconde-se atrás de “guidelines” técnicos, pretende ignorar a triste realidade de quem vive nas zonas do interior, enfim, um todo poderoso que contraria o “espírito” socialista, tentando esconder as preocupações económicas numa área que irá constituir uma fonte adicional da desigualdade social: a saúde!»

Não podia discordar mais. Que Correia de Campos tenha tiques menos agradáveis à vista desarmada, até dou de barato, mas não é por aí que o gato vai às filhozes. Acho óptimo que julgue ter "as soluções para resolver os problemas de saúde", que ignore "o desagrado dos seus correlegionários políticos" e que se baseie em "“guidelines” técnicos". Quanto a aplicar as regras dos países mais ricos... deve-se daí presumir que a racionalização dos recursos é só para os mais ricos? E quanto à desigualdade na saúde, não sei se viu os números, viu? É que quando ninguém olha para os números, quem sofre são as pessoas. Não me digam que já se esqueceram do eng. Guterres.

Que a massa acéfala de Chaves, mais os seus risíveis líderes locais se sintam lesados nos seus interesses, compreende-se. É factual, objectivo. E que esses mesmos lesados não consigam, por emocionados, ver para além do seu universo de três quilómetros quadrados, não me espanta. Lamento, mas não me espanta. O que já me espanta e ainda mais lamento é o facto daqueles que comentam a acção política, supostamente à distância e munidos de alguma isenção, falharem em compreender uma coisa tão simples como, esta medida que, muito embora tenha prejudicados, é, no cômputo geral, positiva. Objectivamente. Já nas maternidades foi a mesma coisa. O Ministro era um assassino... pior, um neo-liberal! Estaremos cá para ver os resultados?

Actualização:

Leio que o governo cedeu. Mau sinal, mau precedente.

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