quarta-feira, março 28

Os meios, os fins e a ética no CDS/PP

É claro que o meu post anterior sobre o CDS/PP está carregado de whishful thinking. Eu gostava que o sr. Portas não fosse líder de nenhum partido. Agora, que a malta do CDS/PP, que saliva por mais algumas migalhas de poder, prefere um populista telegénico a um Ribeiro e Castro, acho que a resposta é clara. Tenho pena, só isso.

E sim, o comportamento de Nogueira Pinto no Conselho Nacional não foi dos melhores. Se calhar o objectivo era justamente fazer estalar o verniz à tropelha Portiana - o que conseguiu - mas que não é honesto, não é. Há que admiti-lo. Catorze horas de reunião, com votações sobre as directas, para depois alegar que a petição prevalece sobre o Conselho Nacional é desonesto. Se prevalece, então porque o colocou a votação em primeiro lugar? É melhor admitir: o Partido foi tomado. Paciência. Será esse o comportamento que distinguirá aqueles que olham aos meios para atingir os fins, daqueles que, pelos visto, conseguem o que querem. Valha-lhes esse conforto. Aos dois.

Etiquetas: ,

terça-feira, março 20

Conselho Nacional do CDS/ PP

Sobre o Conselho Nacional do CDS/PP tenho a dizer que 1) adoro o som do verniz a estalar e 2) todos aprendemos quando as máscaras caem e a coragem se revela ridículo.

Arrisco: Paulo Portas não será eleito líder do CDS/PP. Se for, depois do que se passou, é ainda mais grave.

Etiquetas: ,

quinta-feira, março 1

O Farol, o Rochedo Paulo Portas

Escreve RAF no Blue Lounge:

«Há muitos que apontam o dedo a PP, por ser, digamos, um 'político-surfista', acompanhando, do ponto de vista ideológico, a 'onda' que ele considera ser, no momento, a mais conveniente. Não é esta uma critica descabida, pois PP já defendeu, ao longo dos tempos, as coisas mais variadas. Se o faz por oportunismo politico ou por convicção, é-me indiferente (preocupam-me mais os políticos que estagnaram nas ideologias dominantes no país nos anos sessenta e setenta): desde que seja um bom protagonista.»

Sem querer pôr-me em biquinhos dos pés, o RAF não elaboraria um pouco mais sobre estas linhas? São-lhe indiferentes as motivações de PP, desde que ele se dê bem? Como assim indiferentes?

Etiquetas: ,

sexta-feira, janeiro 19

O CDS e o PP

Desde o dia em que Paulo Portas saiu de (boca de) cena, ou melhor, desde que Ribeiro e Castro arrebatou a liderança do partido a Telmo Correia com um pujante discurso, que temos assistido no PP a um chorrilho de birras e contra-birras que só entristecem o espectador e ridicularizam os protagonistas.

Eu até posso entender o descontentamento que a tropelha Portiana tem em relação ao estilo de liderança de Ribeiro e Castro. É fácil de entender, até. O populismo intelectualmente desonesto de uns não rima com a democracia cristã serena e ponderada de outros. A doentia exaltação de preconceitos não joga com a afirmação segura de princípios, sejam eles quais forem. O CDS/PP não é o meu partido, mas se me for dado a escolher uma das facções, não pestanejo.

Até aqui tudo não passaria, como disse, salvo erro Pulido Valente, de facções que acusam facções de serem facções. A gota que faz transbordar o copo são as permanentes ferroadas de meia-noite que o PP insiste em dar ao CDS em praça pública. O recente episódio com Nuno Melo, para não falar nas dezenas que lhe precederam, é bem ilustrativo do nível de educação que existe por aquelas paragens. A educação, para aqueles que a julgam ter e não sabem, também existe para estas coisas. Chamem-lhe espírito democrático, ou o que quiserem.

Paulo Portas, com o seu projecto de dominação e metamorfose do CDS guilhotinado a meio pela pitoresca aventura com o sr. Lopes, arrisca-se agora a ver o seu grupo de fiéis a levar o partido às lonas, o que provavelmente apenas servirá para que possa então re-emergir como seu salvador, fingindo nada ter que ver com a deriva e eventual declínio do partido na sua ausência, enganando a maralha novamente. Esperemos que não.

Etiquetas: ,