sexta-feira, fevereiro 13

Afectos ao carisma

Acho fundamentalmente cretino que as pessoas usem o argumento de não votarem em determinado político por este não ter carisma. Na forma como eu vejo as coisas, o que deveria interessar são os resultados. O carisma, é um facilitador entre os anseios ou desejos do eleitor e sobre a coisa pública e a mensagem sobre as capacidades e desejos do político. É uma ponte, não um fim. Assim, muito embora os simbolismos, a sedução, a persusasão e demais "artes" possam e devam interessar pela sua utilidade, o argumento do carisma quando usado para justificar o próprio voto, não é mais que uma confissão da incapacidade de, ou da desistência em avaliar racionalmente as reais capacidades e intenções dum político e portanto de projectar ou antever os resultados.

Se eu digo que o político Z tem vantagem em ter carisma (ou sedução, persuasão) o que digo é que este tem melhor capacidade de gerar empatia para com as suas ideias (e portanto tem maior probabilidade de ser eleito). Se eu digo que voto nele ou nela por essa simples razão, estou simples categoricamente a desistir de analisar e antecipar, os reais resultados duma sua hipotética governação. Aí então vivo no mundo da fantasia onde apenas atendo às minhas vontades e afectos e onde o espírito crítico não é necessário para nada. E ainda bem porque isso dá uma trabalheira.

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quarta-feira, agosto 27

O quê e o porquê

"Antes incompreendido que mal interpretado".

Incompreensão é resultado da incerteza sobre o "quê". Má interpretação é resultado da incerteza sobre o "porquê". E como o porquê depende da intencionalidade (que é, por definição, imperscrutável) do sujeito, torna-se impossível fazer qualquer prova sobre "os porquês", condenando qualquer discussão a um ciclo infinito de alegações inverificáveis.

Assim, da mesma maneira que as intenções não são pressuponíveis (os chamados "processos de intenção" são culturalmente mal vistos), as interpretações devem igualmente ser relegadas para os casos de absoluta necessidade. É muito melhor ficarmo-nos pela incompreensão. Assumida e reconhecida, a ignorância não é assim tão má.

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sábado, janeiro 26

Do Pacifismo

«The simple fact is that non-violent means do not work against Evil. Gandhi's non-violent resistance against the British occupiers had some effect because Britain was wrong, but not Evil. The same is true of the success of non-violent civil rights resistance against de jure racism. Most people, including those in power, knew that what was being done was wrong. But Evil is an entirely different beast. Gandhi would have gone to the ovens had he attempted non-violent resistance against the Nazis. When one encounters Evil, the only solution is violence, actual or threatened. That's all Evil understands.»

-- Robert Bruce Thompson

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