sexta-feira, janeiro 11

Liberais Mimados

Eu que sou muito sensível aos argumentos que são acompanhados da palavra liberdade, não deixo de achar uma certa graça aos especiosos e tricotados argumentos liberais que pelas costumeiras paragens polulam (nem vale a pena linkar), sobre a estafada, malfadada, ignóbil e social-engenheira lei do tabaco.

É que, por muita razão que possam ter na sua profunda análise sobre a jusnaturalidade intrínseca do ar, ou sobre a efectiva natureza do contrato que se estabelece quando entramos num estabelecimento comercial, esquecem-se que estamos a falar do simples acto de fumar (e seu local) ou da boa ventilação espaços fechados.

Sim, é verdade que há cidadãos que vêem a livre iniciativa de estabelecer comércio nos moldes que bem entendem ligeiramente coarctada pela obrigação de atender aos não-fumadores, mesmo que não os queiram como clientes, mas por favor, não tratem este assunto como se estivesse em cheque uma liberdade fundamental do ser humano ou um apocalipse comercial como se de repente os fumadores não vivessem em mais lado nenhum senão na rua.

Não esqueçamos que existe um mundo "lá fora" onde em muitos sítios nem um mísero vislumbre de liberdade se consegue. Não é preciso falar na liberdade de expressão, associação, comércio, profissão, voto, mobilidade, etc, etc, etc, pois não? Eu sei que vivemos num país que duma forma geral respeita as liberdades (e portanto temos de arranjar assunto senão tornamo-nos socialistas), mas ainda há áreas onde a nossa querida liberdade é bem mais maltratada e onde a nossa exaltação e preocupação são bem mais necessárias. Os argumentos liberais contra a lei do tabaco são correctos? Duma forma geral, sim. Correctos, mas um bocado mimados.

Exercício: daqui por uns dois anos revisitar estas discussões.

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