terça-feira, abril 8

Da Ferramenta Informática

Não usava Windows há 7 anos. Estou a usar Windows (e Word, e essas coisas todas) há 6 meses, porque tem de ser, claro está. Não sei como conseguem aguentar, a sério. Ainda bem que aprendi outras ferramentas e me livrei deste nojo. Um nojinho é o que é. Não se consegue trabalhar. Não. Se. consegue. Trabalhar. Puack.

Resposta do costume aos comentários do costume: Sim, aprender Linux dá mais trabalho como é óbvio, mas para os 0.01% que tem dois dedos de testa e passa a vida em frente ao computador em tarefas não repetitivas, compensa aprender outras ferramentas. A curva de aprendizagem é mais íngreme ao início mas os resultados são inimaginavelmente gratificantes depois. Não acreditam? Bem, eu não consigo imaginar a minha vida de novo neste lamaçal janelento outra vez.

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quinta-feira, dezembro 20

O Ecrã Multitoque dos Pobres

O Wiimote, controlo remoto da consola Wii, da Nintendo, para além de acelerómetros, botões e outras coisas, tem hardware especializado para seguir até quatro pontos emissores de infravermelho, permitindo mapeá-los de um plano (secção do seu ângulo de visão) a outro (ecrã de trabalho). Isto permite ter um sistema multi-touch como o do iPhone, com cuja demonstração o Johnny Chung Lee da Universidade de Carnegie-Mellon nos presenteia.

Se usarmos dois Wiimotes (não acontece no vídeo) podemos obter mais um eixo, fazendo com que seja possível mapear um domínio 3D a outro. Usando os quatro pontos então, as possibilidade de interacção são espantosas. Mais: se usarmos projecção dupla polarizada (e respectivos óculos) de forma a que cada olho apenas veja a imagem projectada por um dos projectores, podemos ter uma projecção 3D a juntar ao input 3D.

É o que se chama um nerdgasm. Pedidos de consultoria, só lá para Março.

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domingo, agosto 5

Marketing de Recrutamento

Recebi um email dum fórum de estudantes da minha licenciatura (Eng. Informática na UNL) a anunciar a criação de "grupos de elite" formados por estudantes e patrocinados pela Microsoft através dum seu programa denominado Microsoft Student Partner. Está a decorrer uma fase de recomendações para os MSP de 2008, pelo que todos os interessados são instados a manifestar-se, em forma de C.V. e um pequeno texto, no sentido de serem seleccionados de entre os «milhares de estudantes amantes das TI». São dadas algumas informações: Qual o perfil de um MSP?

  1. Paixão por tecnologia
  2. Bom comunicador
  3. Dinâmico e com capacidade de liderança
  4. Gosto por actividades sociais (on-line e off-line)
  5. Gosto em aprender e manter-se actualizado
  6. Gosto por viajar
  7. Identificação com os valores éticos da Microsoft

Mas vejamos, o que faz um MSP?

  1. Divulga a tecnologia Microsoft junto dos outros estudantes
  2. Promove programas e eventos Microsoft do interesse dos estudantes
  3. Participa como orador em eventos técnicos
  4. Defende os valores éticos da Microsoft tendo uma postura compatível
  5. Apoia técnicamente os outros estudantes
  6. Ajuda os outros estudantes a terem um canal aberto com a Microsoft
  7. Partilha as suas experiências
  8. Cria e anima comunidades de estudantes

Portanto, a Microsoft desenvolve um programa de parceria com estudantes em que lhes pede que sejam dinâmicos, comunicativos, bla, bla, bla, que se identifiquem com os seus valores éticos (o que, dado o execrável registo desta empresa nessa matéria, não se percebe se se trata de uma fina ironia ou um apelo subliminar à compartimentação cognitiva), que partilhem as suas experiências, tenham gosto por viajar e animem a sua comunidade de estudantes, podendo ainda vir a participar como oradores (!) em eventos técnicos. Tudo isto a troco de:

  1. Kit de boas vindas
  2. Certificado de participação
  3. Oportunidades de estágio e de recrutamento na Microsoft
  4. Subscrição MSDN gratuita
  5. Portal MSP
  6. Prémio melhor MSP Portugal
  7. Formação gratuita (técnica, soft skills,...)
  8. Convite para participação em eventos técnicos (incluindo Tech ED)
  9. Reuniões trimestrais conjuntas
  10. Acesso a material de marketing (t-shirts, pens, ...)
  11. Ser orador em eventos Microsoft

É para rir, com certeza. No fundo tornar-se num lacaio de comunicação da Microsoft, motivado por (poder a vir) fazer parte de tão grande e poderosa empresa, esforçar-se-á ao máximo por propangandear a boa nova, tendo até a oportunidade de brilhar entre os seus pares e em eventos, como orador. Tudo isto com uma "postura compatível" o que implicará, como todos sabemos, a renúncia a quaisquer "opiniões dissonantes". Nada que não se entenda, muitas empresas o fazem, a diferença é que numas "custa" menos fazê-lo. A menção a ser orador é repetida, não vá o estudante não reparar nesse estonteante benefício. Oferecem ainda uns presentinhos para adocicar a boca; um merchandising para ajudar à identificação emocional mas nada de concreto, tirando talvez a formação.

Não quero com esta mensagem criticar quem por sua iniciativa divulga esta oportunidade (LEI-Fórum) porque certamente o faz bem-intencionado, ou sequer a empresa que apenas cumpre as guidelines de recrutamento dadas pelos recursos humanos, dos melhores do mundo, certamente. O único propósito desta minha mensagem é instar os meus colegas a não comprometer desta forma o seu futuro enquanto engenheiros informáticos. É que toda esta panóplia de siglas, cargos e eventos esconde uma empresa que pouca engenharia a sério faz (sobretudo em Portugal!), muito pouco inovou inventou desde que existe e que (desde que pode) adopta práticas anti-concorrenciais e "variadas" manobras de bastidores. Não é que outras empresas não o façam, mas pelo menos não digam que é por amor à tecnologia.

Eu acho que tudo isto é muito pouco para alguém que está prestes a ser engenheiro informático por uma das melhores Universidades do país. Mas mesmo que tudo isto à superfície pareça apelativo, é preciso ver mais longe, para o que realmente a empresa faz no dia-a-dia (assumindo que o que neste projecto interessa é a oportunidade de conseguir um estágio). E o que é que um profissional da MS faz no dia-a-dia? Muito pouco que tenha que ver com a engenharia informática. Tipicamente, tornar-se-á extremamente hábil num conjunto de software cuja construção e modificação pouco dependerá de si, realizará vários projectos de consultoria com base em software pré-empacotado, e dará por si daqui a uns anos absolutamente dependente de tecnologias proprietárias (nada contra) cujos "dias de glória" poderão já estar a passar, e com um quadro mental restringido a esse universo de buzzwords em que o marketing se mistura com a informática e a tecnologia vem de Redmond, WA. Isto é que são as «condições de atingirem seu potencial pleno»? Cada um saberá por si. Eu já cheguei à minha conclusão: nem pensar.

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quarta-feira, agosto 1

Interoperabilidade às urtigas

A todos os níveis vergonhoso o comportamento do Instituto de Informática relativamente à comissão técnica 173 — Linguagem de Descrição de Documentos e a todo o processo de escolha dum formato interoperável de documentos, que como se esperava devido à presidência pela Microsoft, redundou num voto favorável ao OOXML, falso standard com sérios problemas de interoperabilidade. A Sun (promotora dos formatos abertos do OpenOffice já largamente utilizados) e a IBM ficaram de fora alegadamente devido a... falta de espaço na sala.

A vergonha é, nos dia que correm, um bem escassíssimo. O asco, esse, abunda.

Via A Origem das Espécies. A ler também o post do Ludwig sobre o mesmo.

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